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Poesia e outras bobagens
 


bobagem 564: viajando no caos

A linguagem verbal da não-poesia foi criada para organizar o caos do mundo.
Mas, quando a linguagem verbal da não-poesia transforma-se em mais um objeto no caos do mundo, ela perde seu poder organizador (por isso é que as pessoas falam e escrevem sem parar... mas o caos sempre vence).
A poesia, feita também da mesma linguagem verbal da não-poesia, também é feita para organizar o mundo.
Mas, diferentemente da linguagem verbal da não-poesia, a poesia não se confunde com o caos do mundo por ser um objeto inconfundível. 
E por que inconfundível?
Porque a não-poesia é como a fala que, quando se confunde com o ar, desaparece ("palavras, o vento leva"); e a poesia é como uma escrita — gravada em pedra ou em bronze — que, imutável, se perpetua como um eco infinito de si mesma (ainda que impressa na água ou sussurrada em meio à balbúrdia caótica de uma multidão de idiotas).


Escrito por Paulo de Toledo às 06:23:23 PM
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